O momento de glória de Katiuscia Canoro.
E só falta “gramour” para Lady Kate


Ela é sucesso e não tem para ninguém. 2008 foi o ano de Katiuscia Canoro conhecida por todo país através da personagem Lady Kate. Sim, aquela mesma, dona dos bordões “To pagando!” ou “Só me falta gramour” que brilha todos os sábados no programa Zorra Total. Antes de chegar à televisão, Katiuscia fazia teatro e para os que não sabem, Lady Kate nasceu nos palcos e foi inspirada contextualmente em Bruna Surfistinha, uma jovem prostituta que ganhou fama lançando um livro sobre sua vida pessoal e seu trabalho. Katiuscia vive seu momento de glória a ponto de ser parada nas ruas a cada momento que aparece. Para fechar o ano nada melhor que trazer para nossos leitores uma atriz que foi revelada na televisão com um grande personagem que com certeza irá se tornar um dos marcos da comédia da televisão brasileira. Lady Kate não ficou de fora da nossa entrevista. Ela respondeu um jogo rápido com respostas super diretas e objetivas. E é com Katisucia Canoro e Lady Kate que encerramos o ano com chave de ouro e querendo muito mais para 2009. Em tempo: a atriz ganhou o prêmio jornal Extra como atriz revelação na categoria humor. Realmente é o ano de Katiuscia.

Você tinha noção de que seu personagem Lady Kate fosse fazer tanto sucesso e virar um fenômeno no programa Zorra Total?
Eu gosto da personagem. Ela já fazia sucesso no teatro. As pessoas que assistiam gostavam muito, mas a noção do que era realmente, do que se tornou, não tem como se ter. Com certeza a gente nunca sabe que proporção que o negócio pode tomar.

De onde vem o bordão “To pagando”? Como surgiu o personagem Lady Kate? Alguma pessoa acabou sendo fonte de inspiração?
Quem inventou foi Manuela Dias, que é redatora do Zorra. O personagem Lady Kate surgiu numa peça que eu fazia com mais três humoristas em Curitiba, ‘Cinta Liga’, e eu decidi criar o personagem depois que li o livro da Bruna Surfistinha. Não que ela tenha sido uma inspiração para o personagem em si, porque o personagem em si já existia, o trejeito, o modo de falar, o modo de se expressar, mas na verdade o contexto da história, dela lançar um livro também. Foi mais por esse lado.

Como você vê a relação de Lady Kate com os gays?
Eu acho que Lady Kate é meio gay e é meio drag, over, alegre, ela quer curtir a vida, fala alto... Ela é meio drag sim e acho que os gays gostam disso nela, o fato de ela ser autêntica, ser espalhafatosa, defender os amigos, não ter vergonha do passado. Eu acho que é por isso que os gays gostam tanto.

Lady Kate é um sucesso e virou uma febre entre adultos e crianças. O personagem é marcante. Você tem medo de ficar estigmatizada por sua personagem?
Não tenho medo. Não tenho.

Como é a relação com o público? Sendo sincera, Lady Kate ofusca Katiuscia?
Lady Kate é quem aparece, virou um ícone quase, virou um mito, e Katiuscia é uma pessoa, uma pessoa comum, normal como todo mundo é. Ela não tem o apelo que o personagem tem, então se ela ofusca, ofusca no sentido de que ela importa, ela que é importante no momento.

Tem vontade de fazer uma novela com personagem super dramático?
Não.

Já pintou alguma proposta de posar nua?
Não.

Você participa do processo de texto e da criação da personagem?
Participei dos primeiros e hoje em dia participo no sentido de incluir cacos, incluir algumas piadas dentro dos textos já formatados e criados pela galera do roteiro, pelos redatores.

Agora falando um pouco de você: Como começou a carreira?
Minha carreira começou há dezesseis anos fazendo teatro aqui no Rio e depois fui para Curitiba dando continuidade ao trabalho por lá. A minha carreira sempre veio daí, do teatro.

A atriz Fabiana Karla, que também brilha no Zorra Total, de tanto fazer plantão na porta do Projac para poder entregar uma fita ao diretor Mauricio Sherman, conseguiu, depois de muita luta, entrar no humorístico. E com você? Como foi parar no Zorra Total?
Eu entrei no “Zorra Total” porque eu vim com um espetáculo meu de Curitiba aqui para o Rio e este espetáculo foi visto por um dos redatores do Zorra que acabou me chamando para fazer um espetáculo com ele, o “Pouporri”. Acabei sendo convidada para mostrar alguns personagens para os redatores do programa. Eles gostaram do meu trabalho e falaram para eu apresentar para ao Mauricio Sherman que gostou, topou e me contratou. Foi assim que aconteceu.

Como você vê o humor atualmente na televisão brasileira? Você acha que ainda tem espaço para novos programas e que a TV deveria investir mais nesse segmento?
Eu acho que tem sempre espaço para o humor. Humor nunca é demais, as pessoas gostam disso, de sair da realidade, que aqui, principalmente no Brasil, é muito triste, é uma vida de luta, difícil. O humor é um cano de escape. É uma saída para um lugar mais legal. Eu acho que espaço sempre tem e a TV vai investindo e na medida do possível investe em coisas novas. A gente tem agora o “CQC” que é um programa novo, que apesar de ser a cópia de um programa argentino, é um novo produto aqui no Brasil e que tem respeito, já tem um nome, que já tem público. Então eu acho que a TV está investindo nisso sim.

Você acha que, mesmo com crise, miséria, sem projetos para educação e saúde, o brasileiro ainda tem motivo para rir?
O brasileiro e o ser humano têm motivos para rir porque estar vivo já é motivo para rir e agradecer a Deus, entende? Só de você ver uma criança brincando, rindo, já tem vontade de rir. É uma qualidade humana, felicidade, a risada, a gargalhada, então, sempre mesmo no pior momento, a gente sempre acha um motivo para rir. E é legal mesmo a gente conseguir levar a vida com bastante humor, tentar minimizar os problemas, tentar colocar os problemas de um modo mais suave. A gente sempre tem que procurar motivo para rir. Sempre.

O que alterou na sua vida com o sucesso do programa?
Eu acho que o que alterou minha vida é o que todo mundo sabe que é a perda da privacidade, que você perde bastante. Você está na rua e você está sendo observado; onde você está as pessoas olham, querem falar com você, querem tirar foto, querem tocar em você, querem pegar um pedacinho seu e levar para casa. Isso é bem diferente na minha vida. A expectativa que as pessoas criam em cima do seu trabalho, que já não é mais um trabalho individual, mas sim um trabalho de uma gama gigantesca de pessoas, e você acaba tendo tudo exposto: seu trabalho, sua vida, e para mim, que era uma atriz de teatro, que vivia também essa coisa de ser autônoma, de não saber se tem um trabalho, se amanhã vai ter ou se não vai ter outra peça de teatro para fazer e tal. Por enquanto estou curtindo essa coisa de ser funcionária, de todo mês ter um dinheirinho ali na minha conta, ter um plano de saúde. É uma estabilidade gostosa, que também é efêmera, nada é para sempre, mas eu estou curtindo e vou curtir enquanto durar.

O sucesso a assusta?
Não! Eu acho que é uma coisa de você aprender a se acostumar e a levar de uma maneira simples. É isso. As pessoas têm essa coisa do mito grego e você não pode acreditar que você é mesmo um mito grego. Você não pode sair da sua casinha porque senão o negócio fica perigoso, se não, se você olha pelo lado simples, dá tudo na mesma e acabou.

Para a próxima temporada do Zorra, Lady Kate ainda permanece ou você já está preparando outro personagem?
Ela ainda permanece. Eu não sei até quando ela fica, mas para o próximo ano ela ainda está aí.

No dia a dia você é bem humorada?
Eu não sou muito bem-humorada não. Eu acordo de mau-humor, mas sou brincalhona. Meus amigos me acham engraçada.

Você ainda vai seguir com a peça “D.Graça, Mas Tem Que Pagar?
Eu vou seguir com a peça. A gente está fazendo a peça “D. Graça, Mas Tem Que Pagar?” pelo Brasil, a gente está viajando bastante e agora vou parar um pouquinho no final do ano e em janeiro já recomeço.

O que você espera para 2009? Tem projetos?
Em 2009 eu quero que dê tudo certo, que a personagem continue fazendo sucesso. Tenho projetos que eu ainda não posso falar porque realmente não há nada certo, mas o que eu quero é continuar fazer o que eu estou fazendo, e bem... É isso.

Jogo rápido para Lady Kate
Sonho de consumo
: Cristiano Ronaldo;
Quem levaria para uma ilha deserta: Cristiano Ronaldo
Se restasse um dia o que faria: Eu daria um jeito de comprar, para mim mesma, Cristiano Ronaldo;
Lua cheia foi feita para: para olhar a lua cheia né, a lua cheia foi feita para isso. É uma lua muito bonita, muito legal;
Uma palavra para os nossos leitores: Continuem lendo por causa que ler é muito bom, tu aplende as coisas, aplende a falar celto. Meu poblema é que eu não sei me ler-me muito bem, mas os leitore eu quero que continuem lendo.

Jogo rápido para Katiuscia
Sonho de consumo: Quero uma fazenda com vaquinhas, cavalos e uma nascente;
A fama dá: A fama dá e tira (risos);
Medo: altura;
Se pudesse mudar o mundo, mudaria: a cabeça de algumas pessoas que governam, dos líderes. Se eu pudesse mudar o mundo, eu mudaria a cabeça dos líderes.

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